Desenvolvimento Moral

O raciocínio moral refere-se ao modo como consideramos certo ou errado um determinado acto. O modo como o raciocínio moral ou juízo de valor moral se desenvolve, diz respeito à idade em que a criança poderá ser considerada moralmente responsável. Está ligado ao desenvolvimento cognitivo, pelo que é designado por Perspectiva Cognitiva do Desenvolvimento.

Os trabalhos realizados nesta área foram iniciados de forma pioneira por Piaget e Kohlberg.

 

A teoria de Piaget

Na nossa prática educacional, perguntamo-nos frequentemente como as crianças lidam com as regras (de jogo ou sociais). E mais: o que podemos esperar de cada idade do desenvolvimento humano, no que diz respeito às relações da criança com os aspectos da justiça e da moral.

Piaget debruçou-se sobre estas questões e, a partir das suas experiências e observações, propôs que a forma pela qual as crianças lidam com as regras, com a justiça e a moral, varia no decorrer do processo de desenvolvimento.

Piaget estabeleceu três estádios de consciência infantil das regras:

Até aos 4 ou 5 anos - as regras não eram compreendidas.

Dos 4/5 aos 9/10 anos - as regras tinham origem numa autoridade superior (por exemplo, adultos, Deus, Câmara Municipal) e não podiam ser alteradas. Corresponde a uma moralidade heterónoma.

3º Dos 9/10 anos em diante - as regras eram estabelecidas por mútuo acordo dos jogadores e por essa razão podiam ser mudadas caso todos os jogadores concordassem. Corresponde a uma moralidade autónoma.

 

Piaget concluiu...

 

Crianças diferentes adquiriram versões diferentes das regras e, ao jogarem juntas, essas discrepâncias tornar-se-ão evidentes e terão de ser resolvidas. De acordo com Piaget, este contacto com pontos de vistas divergentes constituía um elemento crucial para o desenvolvimento da moralidade autónoma de reciprocidade.

 

Teoria de Kohlberg

Kohlberg investigou o desenvolvimento do raciocínio moral, com base em dilemas. Com base nestes, Kohlberg postulou 3 níveis de raciocínio moral cada um deles subdivididos em 2 estádios, perfazendo um total de 6 estádios.

 

Nível 1: Moralidade Pré-Convencional

Neste nível, o indivíduo raciocina em relação a si mesmo e ainda não compreendeu ou integrou totalmente as regras e expectativas sociais.

 

1º Estádio do castigo e da obediência:

Evitar infringir regras que acarretem punições, obediência em si mesma, evitar danos físicos a pessoas e bens.

 

2º Estádio do objectivo instrumental individual e da troca:

Seguir as regras apenas quando se trata do interesse imediato de alguém; agir por forma a satisfazer os próprios interesses ou necessidades e deixar os outros fazerem o mesmo.

 

Nível 2: Moralidade Convencional

Neste nível o indivíduo considera correcto, aquilo que está conforme e que respeita as regras, as expectativas e as convenções da sociedade.        

 

3º Estádio das expectativas interpessoais mútuas, dos relacionamentos e da conformidade:

Corresponder às expectativas das pessoas mais próximas ou àquilo que as pessoas geralmente esperam dos indivíduos na nossa posição. “Ser bom” é importante e significa ter boas intenções, mostrar interesse pelos outros e estabelecer relações recíprocas como a confiança, a lealdade, o respeito e a gratidão.

 

4º Estádio da preservação do sistema social e da consciência:

Cumprir os deveres com os quais concordámos. As leis são para ser cumpridas, excepto em casos extremos, em que entrem em conflito com outros deveres sociais estabelecidos.

 

Nível 3: Moralidade Pós-Convencional

Um indivíduo situado neste nível compreende e aceita as regras da sociedade na sua globalidade, mas apenas porque primeiramente aceita determinados princípios morais gerais que lhes estão subjacentes. No caso de um desses princípios entrar em conflito com as regras da sociedade, o indivíduo julgará com base nesse princípio e não na convenção social.                

 

5º Estádio dos direitos originários, do contrato social ou da utilidade:

Ter consciência de que as pessoas defendem diferentes valores e opiniões, de que grande parte dos valores e das regras são específicos de determinado grupo embora devam ser normalmente respeitados a fim de se garantir a imparcialidade ou isenção, até porque fazem parte do contrato social. Determinados valores e direitos não específicos como a vida e a liberdade, porém, têm de ser forçosamente defendidos em qualquer sociedade, independentemente da opinião da maioria.

 

6º Estádio dos princípios éticos universais:

Seguir princípios éticos por nós escolhidos. As leis particulares ou os acordos sociais são normalmente válidos porque se baseiam nesses princípios.

Quando as leis violam esses princípios, agimos de acordo com o princípio. Os princípios são premissas universais de justiça: igualdade dos direitos humanos e igualdade do ser humano enquanto indivíduo.

 

Relembramos que o desenvolvimento da moralidade é necessário para que a vida em grupo, a vida social, seja possível; que a conquista da autonomia moral seja desejável para que todo o ser humano possa avaliar as regras de seu grupo e decidir se elas estão de acordo com os princípios de justiça que promovem a dignidade inviolável da humanidade; a liberdade; a solidariedade e a igualdade.

Em suma, a capacidade de implicação numa acção moral é mais complexa do que o mero conhecimento em abstracto de “valores”. Esta habilidade requer a capacidade para compreender que uma situação é moralmente relevante, ou seja, que há diferentes opções para agir e que estas têm diferentes consequências para as outras pessoas envolvidas na situação. Por isso, a capacidade básica consiste em ter em conta a perspectiva dos outros e, neste contexto, ideias como autonomia, respeito pelos outros, responsabilidade, igualdade, tolerância, justiça, democracia, etc., tornam-se relevantes, o que reflecte uma moral “europeia” específica, supondo que se foi desenvolvendo ao longo de mais de dois mil anos.

Estas capacidades não são tanto o resultado de uma educação que parte dos professores, mas de inumeráveis influências do processo de socialização, estimulado, além disso, de acordo com as teorias sobre o desenvolvimento do indivíduo de Jean Piaget e de Lawrence Kohlberg, depende fortemente do meio social.

A educação pode ter como função levar o indivíduo a enfrentar situações que correspondam à etapa real do seu desenvolvimento no sentido de uma “discrepância óptima”.

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